Quando a Sinfônica deixou de ser um CNPJ e passou a ser uma empresa

06/11/2021

Por Eliza Granadeiro

Em 2022, eu faço 10 anos trabalhando com produção cultural. Até 2017/2018, eu trabalhava sem pensar de forma estratégica no meu próprio jeito de trabalhar. Eu sabia que algumas coisas precisavam mudar, mas eu não conseguia ter clareza de quais coisas eram essas.

No fim das contas, eu mudei quase tudo.

Eu continuei sim atuando na produção cultural, mas mudei os segmentos artísticos, alterei os serviços que eu oferecia e comecei a ver a produção como um mercado de fato. E aí, a Sinfônica deixou de ser um CNPJ e começou a se tornar uma empresa.

Essa introdução aí (um verdadeiro nariz de cera, na expressão jornalística) pode se resumir em: Minha vida profissional mudou quando eu entendi que eu precisava empreender.


No final de 2011, eu terminei a faculdade de Comunicação na UFJF e a partir de 2012, trabalhava em um centro cultural ao mesmo tempo que dava os primeiros passos como produtora.

Não demorou muito para que eu saísse do emprego (entrei em janeiro e saí em outubro) e vivesse, exclusivamente, da produção cultural.

Pois esta minha vida de produtora, de 2012 a 2017, se resumiu a escrever propostas, inscrever em editais de patrocínio e leis de incentivo e produzir esses projetos. Foi um período muito intenso de trabalho, de muitas alegrias e aprendizados. E de muito tapa na cara que eu levei por causa dos erros que eu tava fazendo.

O principal erro que deixa clara a minha falta de pensamento estratégico era: até 2017, ter apoiado a minha vida profissional em uma única, escassa e imprevisível fonte de recursos chamada edital de patrocínio.

Em resumo, a minha vida profissional não era sustentável. Até 2015, eu vivi um boom de projetos patrocinados. Aí, a coisa começou a ficar estranha: 2016 foi um caos que continuou em 2017. Pois aí, eu comecei a entender e a admitir o que estava acontecendo.

E comecei a me movimentar.

Entre uma busca e outra pela internet, eu caí em um vídeo da Rafa Cappai (da Espaçonave) sobre economia criativa, empreendedorismo criativo, negócio sustentável. Ainda que não tenha sido de forma simples e linear, foi a partir disso (de um conteúdo gratuito da Rafa) que algumas chaves começaram a virar por aqui.

Eu passei a pesquisar intensamente sobre empreendedorismo. Muita coisa fez sentido e as chaves viraram de vez.

Comecei a entender que a minha frustração não era por trabalhar na produção. Mas era de trabalhar da forma como eu estava trabalhando. Olhando assim, agora, é fácil dizer que aquela forma de trabalhar não era sustentável. Visualizar o cenário é que não foi nada simples.

Se perceber a situação não foi fácil, começar a mudar foi mais difícil ainda. Mas, uma vez que eu já tinha dado o primeiro passo, não dava mais pra ficar parada.

Foi a partir daí que a Sinfônica deixou de ser apenas um CNPJ que representava projetos em editais de patrocínio e começou a dar uns passos para se tornar uma empresa.

Este site e este blog são mais um passo (que eu acho muito importantes e que eu demorei a dar) para a trajetória da empresa.

Vejam que do momento em que as coisas começaram a mudar de fato (lá em 2018), ainda demorou quatro anos pra gente ter um espaço próprio na internet e se posicionar de fato como uma marca. Eu falei que as coisas não foram simples, né?